III Jornadas de Serviço Social da AEESECB

A Associação EcoGerminar estará presente nas Comemorações do Dia do Serviço Social na Escola Superior de Educação de Castelo Branco, apoiando e dinamizando as suas atividades.

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Apresentação do Livro- “Slow as Coisas Boas Levam Tempo”

A Associação EcoGerminar promove a apresentação do livro “Slow as Coisas Boas Levam Tempo” da autoria de Raquel Tavares. Esta apresentação terá lugar no próximo dia 24 de março pelas 17h na Associação Livre Cor.
Não perca este evento!

Petição – Por uma prevenção de incêndios florestais que proteja e apoie as populações, que proteja a biodiversidade e controle as áreas de eucaliptos e pinheiros bravos não geridos.

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NÃO CORTEM ÁRVORES!

PETIÇÃO – Por uma prevenção de incêndios florestais que proteja e apoie as populações, que proteja a biodiversidade e controle as áreas de eucaliptos e pinheiros bravos não geridos

Para: Ex.mo. Sr. Primeiro Ministro, Ex.mo. Sr. Ministro da Administração Interna, Ex.mo. Sr. Ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Ex.mo Sr. Ministro do Ambiente

Ex.mo. Sr. Primeiro Ministro,
Ex.mo. Sr. Ministro da Administração Interna,
Ex.mo. Sr. Ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural,
Ex.mo Sr. Ministro do AmbientePetição
Por uma prevenção de incêndios florestais que proteja e apoie as populações, que proteja a biodiversidade e controle as áreas de eucaliptos e pinheiros bravos não geridos

Depois de tanta destruição, tanta ruína e tanto sofrimento devido aos fogos vivemos novamente um sentimento de medo e perda colectiva. O Decreto-lei nº 10/2018, de 14 de fevereiro para gestão da vegetação na interface e a campanha de comunicação associada estão mal feitas e são tecnicamente e cientificamente questionáveis. Os cidadãos são responsabilizados para tomar medidas de prevenção, mas a informação correcta não lhes está a ser transmitida. E por isso, em várias zonas do país, estão a ocorrer acções, por vezes, extremas com corte indiscriminado de todo o tipo de vegetação.

Está instalado um clima de mal-estar que reavivou o sentimento de ameaça e perda colectiva vividos no último verão. O mundo rural está confrontado com o medo da multa, com a falta de meios e com a tristeza de eliminar vegetação que faz parte da sua vida.

Se a preocupação do governo é a nossa segurança, é preciso que a Protecção Civil funcione bem e que se implementem medidas de fundo. A nova lei criou excepções às áreas que necessitam de cortes, no entanto a forma como está escrita leva a diferentes interpretações criando muitos mal-entendidos entre a população que, por medo das multas, opta pelo corte radical e indiferenciado da vegetação. A separação em 10 metros das copas de pinheiros e eucaliptos tem levantado questões sobre a eficácia desta medida, tendo cientistas das ciências florestais e do fogo explicado como esta medida pode ser contraproducente para protecção dos edificados. O que é preciso é mudar o tipo de vegetação que temos na interface com o edificado, pois tanto o pinheiro bravo como o eucalipto são espécies que nem sequer deviam estar presentes nas distâncias de segurança estabelecidas legalmente.

A lei deve valorizar as espécies autóctones, as quais devido às suas características e se bem geridas, ajudam a diminuir a intensidade dos incêndios. Por exemplo, no ano passado uma floresta de sobreiros travou o fogo na aldeia de Ferraria de São João (Penela) e um pomar de medronheiros protegeu a aldeia de Sigmo Samo (Pampilhosa da Serra). Estas e outras espécies (choupos, salgueiros, freixos, tílias, laranjeiras, sabugueiros, loendros, viburnos, …), ajudam a proteger os edifícios e diminuem o crescimento da erva e da vegetação arbustiva, devendo ser plantados/ semeados à volta de casas e de povoações. Com elas não se justifica a distância entre copas de 4 metros, ou de 5m para as paredes. Ou fará sentido cortar as espécies mais resistentes ao fogo e deixar pinheiros e eucaliptos só para aumentar a distância entre árvores?
A vegetação presta-nos inestimáveis serviços – liberta oxigénio, fixa dióxido de carbono, fertiliza e protege o solo da erosão, promove o armazenamento de água no subsolo. É ela que produz alimento para toda uma infinidade de seres vivos interligados numa rede intrincada de relações que deve ser mantida. Sem esta complexidade o ser humano também não sobrevive. Por isso, e não por um ímpeto romântico e altruísta, devemos proteger a variedade de espécies, que está agora (e legalmente) mais ameaçada do que nunca.

E não precisamos sequer de invocar a beleza das árvores, arbustos e herbáceas para ser evidente que, ao invés de as cortarmos, devemos é multiplicá-las.
Será que podemos aceitar o corte das árvores (à excepção de eucaliptos e pinheiros bravos) que ladeiam as linhas de água, as estradas ou as que nos acompanharam toda a vida, junto das nossas casas?

O que é que se passa neste país que, em vez de proteger os seus recursos naturais, os delapida de forma leviana? Ou há já alguma entidade a defender a possibilidade de vivermos sem vegetação?

Exigimos que o governo assuma as deficiências da legislação e da campanha de prevenção de incêndios suspendendo-a e criando condições exequíveis e atempadas para a gestão de combustíveis.

Tanto a legislação como a campanha devem ser reformuladas. Há que prevenir os incêndios de forma efectiva com evidências científicas, conciliando a protecção e o apoio à população rural, preservando o solo, a vegetação e a biodiversidade a ela associada. Deve haver mais apoio técnico no terreno, mais recursos financeiros e logísticos, uma maior valorização do espaço rural e não apenas fiscalização e aplicação de multas.

Os/as peticionários/as
Conceição Colaço
Graça Passos
Marco Domingues
Associação EcoGerminar

3 de março de 2018

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