COMUNICADO DE IMPRENSA – PREVENÇÃO NÃO É DESFLORESTAÇÃO

COMUNICADO DE IMPRENSA – PREVENÇÃO NÃO É DESFLORESTAÇÃO

Por uma prevenção de fogos que controle a densidade dos eucaliptos e pinheiros bravos mas que seja protegida a biodiversidade e os ecossistemas naturais.

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Depois de tanta destruição, tanta ruína, tanto sofrimento por causa dos fogos vivemos novamente um sentimento de ameaça coletiva.  A legislação e a campanha de prevenção de fogos deverá procurar uma maior sensatez nas suas propostas, e permitir uma informação adequada que procure a prevenção, mas em simultâneo a preservação dos ecossistemas, da biodiversidade e do património natural das comunidades. O mundo rural está a ser confrontado com o medo da multa, com prazos impossíveis de cumprir e com a urgência e tristeza de eliminar a vegetação a que está ligada afetivamente. Em muitas situações a administração central estará a passar a mensagem que se corte o que o fogo não destruiu, junto das habitações, povoações e junto  das estradas. Este grupo de cidadãs e cidadãos considera que é importante reduzir os eucaliptos e os pinheiros bravos que são al

 

 

tamente inflamáveis, mas não toda a vegetação, que contribui para fixação do dióxido carbono, que reduz as alterações climáticas e liberta o oxigénio, que protege o solo da erosão, que promove o armazenamento de água no subsolo e que é uma proteção contra a ação do vento. É ela que produz alimento para toda a infinidade de seres vivos que estão ligados por uma rede complexa de relações que contribui para a vida tal como a conhecemos e a admiramos. Sem essa complexidade as pessoas não conseguirão sobreviver. Por isso , e não por um ímpeto romântico e altruísta, devemos proteger a v

 

ariedade de espécies, que está mais ameaçada do que nunca, devemos deixar a perspetiva antropocêntrica, a natureza ao serviço da humanidade, para a ecocêntrica, a humanidade como parte igual e não dominante de uma mesma casa comum. Não p

recisamos sequer de invocar a beleza das árvores, arbustos e plantas herbáceas para ser evidente que não podemos viver sem a sua presença. Vimos sensibilizar o governo, o poder local, as entidades com competências neste âmbito e as comunidades rurais para que a legislação seja interpretada de forma harmoniosa com a preservação dos ecossistemas e da sua biodiversidade. A atual legislação carece de um processo de aprendizagem, as campanhas devem permitir a criação de espaços de diálogo e de aprendizagem coletiva. Há que prevenir os fogos, de forma efetiva, preservar a vegetação e a biodiversidade a ela associada, de forma inequívoca, e apoiar, escutar e formar as comunidades rurais para ações sensatas, sendo que estas comunidades que tanto contribuem e contribuíram para a valorização do mundo rural, são mais uma vez, as que assumem a responsabilidade de reparar os danos causados por politicas publicas que levaram ao despovoamento, ao abandono dos territórios rurais e à catástrofe dos incêndios a que no passado  recente assistimos.

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